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FALARÃO MEUS POEMAS PELAS RUAS
(Lucila Nogueira)

Falarão meus poemas pelas ruas
de cor como receita de viver
e aqueles que sorriam pelas costas
recitarão meus versos sem os ler

Falarão meus poemas pelas ruas
de cor como receita de viver
dirão que fui um mar misterioso
onde quem navegou não esqueceu

Falarão meus poemas pelas ruas
de cor como receita de viver
dirão que era poesia e não loucura
meu jeito de sonhar todos vocês

Falarão meus poemas pelas ruas
de cor como receita de viver
perguntarão por que vivi tão pouco
sem dar-lhes tempo de me perceber

— e aqueles que sorriam pelas costas
recitarão meus versos sem os ler


SERVENTIA DA POESIA

Para alguma coisa há de servir
toda uma vida dedicada a ti
poesia meu estranho anjo da guarda
não há de ser para a fama
nem me fará mais amada
nem aplausos no palanque
nem no circo de lona rasgada
pirâmides de livros pela casa
qualquer dia toco fogo
e paro e sumo e me calo
mas há de servir para algo
a palavra entrecortada
o coração desabrido
a poesia ignorada
para salvar um amigo
do terror do suicídio
há de servir para algo


NÃO É FÁCIL MORRER

não é fácil morrer e eu te recordo
recoberto de flores nesse espaço
onde te colocamos para sempre
tão belo mas tão frio o teu estado

vivendo a morte pelo outro lado
do espelho magnético da alma
vivendo a sorte de dormir calado
e acordar invisível para a amada
tendo só sua mente por cenário
(forças desconhecidas e secretas
 nas ruínas românticas do claustro)